
Durante discurso nesta quinta-feira (19/20), em Nova Délhi, na Índia, o presidente Lula defendeu que a governança da Inteligência Artificial (IA) seja multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento. A fala ocorreu durante a Sessão Plenária da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, onde Lula alertou que, sem ação coletiva, a tecnologia pode aprofundar desigualdades históricas e fragilizar as democracias.
Segundo o presidente, a chamada Quarta Revolução Industrial avança de forma acelerada, enquanto o multilateralismo enfrenta um momento de retração. Nesse cenário, ele classificou a governança global da IA como estratégica para garantir que a tecnologia fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países, respeitando as diferentes trajetórias nacionais.
Lula destacou dados da União Internacional de Telecomunicações (UIT), segundo os quais 2,6 bilhões de pessoas ainda estão desconectadas do universo digital. Para o presidente, o debate sobre inteligência artificial precisa, necessariamente, colocar o ser humano no centro das decisões.
“O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo”, afirmou.
O presidente também alertou para os perigos do uso indiscriminado da inteligência artificial, ressaltando seu potencial de ameaçar processos democráticos e eleitorais. De acordo com Lula, conteúdos falsos manipulados por IA já representam riscos concretos à integridade da informação e ao funcionamento das democracias.
Ao comparar a IA com outras grandes inovações tecnológicas da história, como o uso do átomo e a engenharia genética, Lula afirmou que a Revolução Digital pode tanto ampliar o bem-estar coletivo quanto gerar efeitos nocivos. Entre os riscos citados estão o uso de armas autônomas, discursos de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas, além da precarização do trabalho.
Outro ponto central do discurso foi a defesa da regulamentação das empresas responsáveis pelas principais plataformas de inteligência artificial. Lula criticou a concentração de infraestrutura, capital e capacidade computacional em poucos países e conglomerados, além da apropriação de dados de cidadãos e instituições públicas sem retorno equivalente em geração de valor local.
“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, afirmou o presidente. Ele acrescentou que a regulamentação das Big Techs é essencial para proteger direitos humanos no ambiente digital, garantir a integridade da informação e preservar as indústrias criativas.
Por fim, Lula destacou que o Brasil tem avançado na construção de um marco regulatório para a Inteligência Artificial e na atração de investimentos em centros de dados. Ele lembrou que, em 2025, o país lançou o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com foco na melhoria dos serviços públicos, na geração de emprego e renda e na elevação da qualidade de vida da população.
Tags: Lula, Inteligência Artificial, governança digital, Big Techs, política internacional
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