
A volta do presidente Lula a Brasília deve destravar definições importantes sobre a composição da Esplanada dos Ministérios. Nos bastidores do Palácio do Planalto, dois ministros considerados estratégicos já manifestaram, de forma reservada, o desejo de deixar seus cargos ainda neste início de ano: Ricardo Lewandowski, da Justiça, e Fernando Haddad, da Fazenda.
Lewandowski informou Lula, ainda no fim de 2025, que pretendia antecipar sua saída do Ministério da Justiça. Desde então, passou a defender que a exoneração ocorra já em janeiro, preferencialmente nos primeiros dias do mês. A equipe mais próxima do ministro foi avisada previamente, mas a definição do momento exato segue dependendo de uma decisão do presidente.
Dentro do Ministério da Justiça, não há consenso sobre o melhor timing para a mudança no comando. Um grupo de técnicos avalia que Lewandowski deveria permanecer no cargo até que a PEC da Segurança Pública avance no Congresso Nacional. A proposta, no entanto, ainda encontra resistências e precisa passar tanto pela Câmara quanto pelo Senado.
Aliados do ministro relatam que ele gostaria de encerrar sua passagem pela pasta durante os atos oficiais relacionados ao 8 de janeiro. Em conversas internas, o entendimento é de que houve desgaste na condução de temas sensíveis sem respaldo político firme do Planalto. As críticas se concentram especialmente na atuação do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e na dificuldade de articulação com o Congresso, onde projetos prioritários da pasta teriam sido alterados durante a tramitação.
No PT, a possível saída de Lewandowski reacende discussões sobre a divisão do Ministério da Justiça em duas estruturas distintas: Justiça e Segurança Pública. A avaliação de dirigentes é que a medida poderia funcionar como resposta política às cobranças da população, que aponta a segurança pública como uma das maiores preocupações do país.
Na área econômica, Fernando Haddad também já comunicou ao presidente a intenção de deixar o Ministério da Fazenda. Diferentemente de Lewandowski, porém, Haddad sinalizou que pode permanecer no cargo até o fim de fevereiro. Caso a saída se confirme, a tendência é que o secretário-executivo Dario Durigan assuma o comando da pasta.
Mesmo antes de uma decisão definitiva, a equipe econômica começou a ser redesenhada. Marcos Barbosa Pinto deixou a Secretaria de Reformas Econômicas antes do recesso parlamentar. Entre aliados do governo, a leitura é de que o movimento simboliza o encerramento da agenda reformista do terceiro mandato de Lula e indica uma mudança para um perfil mais político da Fazenda.
A eventual saída de Haddad também tem reflexos no cenário eleitoral. O ministro demonstrou interesse em atuar na coordenação da campanha de reeleição de Lula, mas dirigentes do PT avaliam outros caminhos para 2026, como uma candidatura ao governo de São Paulo ou ao Senado.
Apesar das sinalizações já feitas, Lula ainda não definiu o calendário das mudanças. A expectativa no Planalto é que as decisões sejam tomadas nos próximos dias, abrindo espaço para uma reorganização política do governo em um ano considerado decisivo.
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