
A sanção da lei que amplia a isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais abriu, nesta quarta-feira (26), espaço para um discurso marcante do presidente Lula (PT), que sinalizou novas pautas trabalhistas para 2025, incluindo isenção de IR sobre PLR e revisão da jornada 6x1.
Durante o ato oficial de assinatura, Lula agradeceu aos parlamentares que aprovaram a medida e destacou o papel do Congresso na preservação da democracia. Segundo ele, a postura de deputados e senadores permite que o país “continue acreditando na política, na democracia e na convivência na diversidade”. O presidente reforçou que consensos só se constroem com diálogo e respeito às diferenças.
Lula também recuperou práticas do passado para ilustrar o avanço democrático, citando episódios como a distribuição de dentaduras em campanhas eleitorais. Para ele, democracia não é apenas alternância de nomes no poder, mas “a troca de classes sociais”, garantindo que diferentes segmentos possam governar e disputar projetos de país.
Ao defender igualdade de oportunidades, o presidente afirmou:
“Eu não quero ser igual. Eu quero ter a mesma oportunidade que todo mundo. O que eu quero é dar ao negro a oportunidade de ter o que ele nunca teve. E não é apenas o povo negro. É o povo pobre”.
O presidente expandiu seu discurso para a desigualdade global, criticando o fato de um mundo com capacidade de alimento para mais que o dobro da população conviver com 700 milhões de pessoas famintas. Para ele, a elite brasileira contribuiu historicamente para tornar os pobres “invisíveis”.
Lula também relembrou modelos de governo que privilegiavam apenas uma parcela da população. “Conheço presidente neste país que dizia que o Brasil só daria certo se fosse governado para 35%”, afirmou. Governar para quem já tem estabilidade, disse, “é fácil”; o verdadeiro desafio é decidir “quem precisa do Estado”.
Ao defender a distribuição de renda, Lula destacou que “muito dinheiro na mão de poucos significa miséria; pouco dinheiro na mão de muitos significa distribuição de riqueza”. Ele argumentou que a economia cresce quando há aumento de consumo, reforçando que mais renda para os pobres impulsiona mercados e não prejudica os mais ricos.
O presidente também apontou a necessidade de atualizar legislações trabalhistas diante de impactos tecnológicos, citando o papel da robotização desde os anos 1980 e alertando para desafios futuros relacionados à automação.
Sobre a PLR, Lula foi direto: “É injusto. Recebo dividendo e não pago nada. Recebo bônus de banco e não pago. Aí trabalho o ano inteiro, recebo R$ 10 mil de PLR e tenho que pagar Imposto de Renda. Precisamos pensar nisso”. Ele também defendeu mudanças na jornada de trabalho: “A gente não pode continuar com a mesma jornada de 1943”.
Ao encerrar o discurso, Lula afirmou que não vê limites para avançar em justiça social: “Hoje é um dia de agradecimento. Não existe nada impossível”.
A ampliação da faixa de isenção do IR para até R$ 5 mil, com redução para rendas de até R$ 7.350, entra em vigor na próxima declaração. A medida se torna uma das principais ações econômicas do governo em 2025 e abre caminho para novos debates sobre renda, trabalho e oportunidades no país.
Tags: Lula, Imposto de Renda, Política Econômica, Governo Federal, PLR, Jornada de Trabalho, Mobilidade Social, Congresso Nacional, Brasil 2025
Mín. 24° Máx. 28°





