
“Antes de qualquer diagnóstico, existe o cuidado. Antes de qualquer rótulo, existe o amor”. É nesse espaço de escuta, acolhimento e partilha que mães atípicas atendidas pela Unidade de Saúde da Família (USF) Vista Alegre, no Colinas do Sul, vêm encontrando apoio para enfrentar os desafios do dia a dia e, principalmente, para não se sentirem sozinhas.


Criado a partir da escuta sensível da equipe da unidade, o grupo de apoio ‘Sementes de Mim’ nasceu da necessidade de olhar com mais atenção para as vivências dessas mulheres dentro do sistema de saúde. Atualmente, cerca de 35 mães participam ativamente dos encontros, realizados de forma quinzenal desde maio de 2025.
“Percebemos que existia uma necessidade urgente de um olhar mais cuidadoso para essas mães e seus filhos. A partir disso, estruturamos o grupo para oferecer acolhimento, orientação e um espaço de troca de experiências”, explica a gerente da USF Vista Alegre, Denise Maia.
Os encontros são conduzidos por uma equipe multiprofissional e incluem acolhimento, escuta qualificada, rodas de conversa, atividades educativas em saúde e acompanhamento contínuo, sempre com foco no cuidado integral das participantes e de seus filhos. Durante as atividades, as crianças são acompanhadas por profissionais da unidade, participando de ações lúdicas, recreativas e educativas, além de receberem atenção em saúde conforme suas necessidades.

A assistência ofertada às participantes é ampla e integrada, incluindo atendimentos médicos, odontológicos, nutricionais, psicológicos, fisioterapêuticos e de enfermagem, de acordo com cada caso. Essa abordagem contribui para o fortalecimento do vínculo com a rede de saúde, promoção do bem-estar físico e emocional e melhoria da qualidade de vida das famílias.
“Por trás de cada mãe atípica, há uma trajetória de luta, amor e resistência, e toda mãe merece ser cuidada também. Aqui em nosso grupo, antes de qualquer diagnóstico, existe o cuidado. Antes de qualquer rótulo, existe o amor”, destaca a gerente da unidade.
Para complementar a assistência, o grupo atua de forma articulada com outros pontos da Rede de Atenção à Saúde, garantindo encaminhamentos, acompanhamento compartilhado e ampliação do acesso a serviços especializados.
Mas é na voz de mães, como Heluana de Amorim, que a importância do projeto ganha ainda mais força. Com duas filhas, de 3 e 4 anos, com laudos de autismo e síndrome de Goldenhar, começou a participar do grupo recente, mas já percebe o impacto do acolhimento.


“Há cerca de dois meses minha mais nova foi confirmada também com autismo, foi quando entrei para o grupo pois eu realmente estava precisando de um apoio maior. Desde então, eu sou muito bem cuidada e acolhida, a equipe do postinho é muito boa comigo, eles realmente se preocupam, mas o apoio vem também das mães, que me escutam e entendem o que passo e isso me faz muito bem”, relata a mãe.
Outro relato que reforça a importância do grupo é o de Lorenis Araújo, de 39 anos, mãe de Jean Carlos, 6 anos, diagnosticado com autismo nível 2 de suporte.
“Assim que recebemos o diagnóstico, o pai de Jean Carlos nos abandonou. Desde então, vivo uma luta diária por terapias e medicações, tentando incluir meu filho no mundo. O grupo é muito importante porque nós mães nos doamos em tudo, abdicamos de muito, mas quase nunca somos cuidadas. As pessoas romantizam a maternidade atípica, mas a nossa realidade é cheia de desafios e no dia a dia, muitas vezes, passamos por tudo em silêncio. Mas aqui, a gente encontra um espaço seguro para falar, desabafar e ser ouvida por quem realmente entende. Espero que esse exemplo alcance outros bairros e mais mães, porque, para cuidar dos filhos, nós também precisamos estar bem”, relata a dona de casa.

A USF Vista Alegre conta com quatro equipes de Saúde da Família e acompanha cerca de 17 mil usuários em seu território. Além do grupo de mães atípicas, a unidade também desenvolve outras ações coletivas e grupos educativos voltados para condições crônicas, saúde da mulher, gestantes e saúde mental.
Para participar do grupo, é necessário estar cadastrada na unidade. As interessadas devem procurar a equipe da USF Vista Alegre para acolhimento e orientações sobre a inserção nos encontros. “Nosso objetivo é garantir que o atendimento chegue a todos, promovendo acesso igualitário e qualidade nos serviços prestados”, reforça Denise Maia.
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