Justiça Banco Master
PGR arquiva pedido e diz que contrato da esposa de Moraes com Banco Master não configura ilicitude
Paulo Gonet afirma que acordo entre escritório de advocacia e instituição financeira envolve entes privados e não justifica investigação
29/12/2025 19h57
Por: Redação1
Procurador-geral da República, Paulo Gonet

 

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, determinou o arquivamento de um pedido de investigação que questionava a possível atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em razão de um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia comandado por sua esposa, Viviane Barci de Moraes. Segundo Gonet, não há indícios de irregularidade nem fundamentos jurídicos que justifiquem a abertura de apuração no âmbito da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A decisão foi divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles, que teve acesso ao despacho do procurador-geral. No documento, Gonet afirma de forma categórica que, em relação ao contrato, “não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique a intervenção desta instância”.

O pedido de investigação foi apresentado pelo advogado Enio Martins Murad e tinha como base, entre outros pontos, o contrato celebrado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Advogados. Ao analisar o caso, Paulo Gonet ressaltou que a relação contratual ocorreu entre entes privados e está inserida no exercício regular da advocacia.

Contratos privados

No despacho, o procurador-geral destacou que “refoge ao escopo de atuação e à competência da Suprema Corte a ingerência em negócios jurídicos firmados entre particulares”, especialmente quando tais contratos estão protegidos pela autonomia própria da atividade liberal da advocacia. Segundo ele, não cabe ao STF nem à PGR interferir em acordos privados que não apresentem indícios concretos de ilegalidade.

Gonet também relativizou o peso das informações jornalísticas citadas no pedido. De acordo com o chefe do Ministério Público Federal, “o noticiário citado não ostenta densidade suficiente para mobilizar o aparato da Procuradoria-Geral da República”.

Caso encerrado

O contrato questionado envolve o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master, com valor total de R$ 129 milhões. O acordo prevê o pagamento do montante ao longo de 36 meses, a partir do início de 2024, o que corresponde a parcelas mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões.

Com a decisão de arquivamento, a PGR encerra o caso sem abertura de investigação formal, reforçando o entendimento de que, até o momento, não há elementos jurídicos que indiquem irregularidade ou conflito de interesses envolvendo o ministro do STF e o contrato firmado por sua esposa no exercício da advocacia.

 

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